Syd Barrett
Estreia documentário sobre Syd Barrett e as origens do Pink Floyd

Estreia documentário sobre Syd Barrett e as origens do Pink Floyd

‘Have You Got It Yet?’ apresenta novas entrevistas com seus companheiros de banda Roger Waters, David Gilmour e Nick Mason

Em um espaço relativamente muito curto de tempo, o jovem Roger Keith Barrett saiu de sua cidade no interior e ajudou a fundar o Pink Floyd, no qual exerceu dominância criativa; a banda conquistou a cena alternativa da influente Londres, lançou um álbum pela maior gravadora e chegou ao mais concorrido mercado cultural: os Estados Unidos. Em muito menos tempo ainda, seu comportamento imprevisível o fez ser expulso do grupo. Pelo benefício da dúvida, gravou dois álbuns solo, inclusive com a ajuda dos ex-companheiros. Sem a repercussão desejada, retornou a Cambridge para a mais completa reclusão, sem nunca mais dar entrevista ou manter contato com a vida da lenda que criou: o mítico SYD BARRETT.

Legendas em português nossas no 1º trailer oficial (assine nosso canal)

 

A vivacidade da chama que tanto iluminou e continua influente é tão cativante quanto o mistério de sua rápida extinção. Explicar a criatividade do belo jovem seduz tanto quanto espanta sua impossibilidade de lidar com a indústria cultural, sedutora e exigente. Muito mais complexa do que a resposta (real mas simplista) da degradação pelas drogas, o entendimento, se é que possível, deve passar mesmo pelo contraditório: a natural evolução dos sóis a buracos negros, como profundamente Roger Waters expressou na letra de “Shine On You Crazy Diamond“.

Tão intenso brilho seguido do mais completo ostracismo, tornando-o literalmente irreconhecível até para seus íntimos colegas, fascina tanto que Syd Barrett virou ícone de intenso culto, não apenas de fãs, mas marcando profundamente toda obra audiovisual da banda nomeada por ele e influenciando outros artistas (David Bowie o mais notável).

Sendo Pink Floyd tudo o que é (entre os maiores e mais vendidos artistas musicais de todos os tempos), inegável concluir que existe uma lacuna de material oficial que possa atender a curiosidade e o fascínio que o “Diamante Louco” desperta. Os londrinos Nick, Rick e a “gangue de Cambridge”Roger, David e Storm Thorgerson – não se furtaram a tocar no assunto várias vezes, mas com visível e declarado desconforto nas entrevistas. Parte desse cuidado pode ser atribuído ao pedido do próprio para que se afastassem dele, que (segundo a família) se entristecia quando deparado com sua antiga e famosa vida, mas também deve ser um cuidado justificável de não explorar sem diagnósticos técnicos o delicadíssimo assunto da saúde mental.

Shine On You “Loki” Diamond

Em 2008, Paulo Henrique Fontenelle dirigiu o documentário “Loki” sobre vida e obra de Arnaldo Baptista, d’Os Mutantes, onde mostra com notável sensibilidade como “loucura” e “genialidade” – independentemente de como possam ser definidas – estão tão distantes que se aproximam, como se estivessem em um círculo. Embora o Arnaldo tenha uma obra mais extensa, a semelhança entre as histórias – contemporâneas – é assustadora: a intensa ousadia e criatividade na juventude, o uso de LSD como recurso de expansão da mente e as acusações “de serem loucos” (no caso de Baptista chegando a internações) antes da reclusão e do ostracismo. Em “Loki“, o paralelismo chega até a ser citado por Sean Lennon, que chama Arnaldo Baptista de “Syd Barrett brasileiro” (o filho de Yoko Ono e John Lennon é declarado fã de ambos).

A comparação está aqui menos pelas semelhanças, que são incríveis, mas para demonstrar que é, sim, possível, abordar um assunto seríssimo sem sensacionalismo de uma forma que nunca deixa de ser complexa sem ser acessível. Fontenelle destacou-se absurdamente por ter essa sensibilidade. O segundo ponto é que para os fãs o entendimento da vida privada muitas vezes é indissociável da obra artística. Syd e Arnaldo são ótimos exemplos de fusão criador-criatura

Trailer de “Loki: Arnaldo Baptista

Have You Got It Yet?

O nome do documentário vem uma curiosíssima e ilustrativa história.

David Gilmour entrou no Pink Floyd não como substituto de Syd Barrett, mas como uma necessário apoio às inconstâncias do último. Logo que isso aconteceu, os cinco integrantes se reuniram em uma escola para ensinar o material ao novo membro, já que teriam uma série de shows a seguir.

“Mas Syd via David como um intruso.”

NICK MASON

Mas, ao invés de ensaiar, Barrett trouxe uma nova composição sua para os outros aprenderem, “Have You Got It Yet?“. Traduzido, o título é a pergunta “Vocês não entenderam ainda?” e no refrão era para os outros cantarem “não, não, não“. Porém, toda vez que a banda aprendia, Syd mudava completamente o arranjo, então quando chegava no coro vocal eles já estavam todos errados, como se – de fato – não tivessem entendido ainda. Demorou uma hora para perceberem que Syd os estava fazendo de tolos.

No novo trailer do documentário, Nick Mason aparece no final contando essa anedota e pode-se ouvir a voz de David Gilmour fazendo um acréscimo:

Legendas em português nossas no 2º trailer oficial (assine nosso canal)

“Era um ato de um louco genial. Eu não consegui sacar nada, fiquei lá durante uma hora o ouvindo cantar ‘vocês não entenderam ainda?’ e eu respondia cantando ‘não, não’. Formidável! Na verdade, achei que havia algo de brilhante nela, como alguma comédia inteligente, mas apenas disse ‘ah, já entendi agora’ e fui embora.”

ROGER WATERS

Foi uma das últimas participações de Barrett no Pink Floyd. Será que ele estava forçando sua expulsão por não ter coragem de sair? Será que ele queria convencer seus companheiros de que ele não se encaixava mais? Será que sua visão artística divergiu tanto ou era só uma traquinagem irresponsável? Qual o peso das drogas ou de uma doença mental não-diagnosticada no seu comportamento? Abaixo, você encontrará mais dúvidas.

Compreensivelmente, o documentário acrescentou o comercialíssimo subtítulo “A História de Syd Barrett e do Pink Floyd“, mas nada deve ser abordado do que se seguiu à banda com a saída do protagonista, a não ser por uma daquelas narrações resumidas e com letreiros no fim.

Porém, essa descrição causou muita confusão nos fãs porque já existe um documentário com esse nome (foto abaixo), exceto pela inversão nos nomes: “The Pink Floyd and Syd Barrett Story” feito para a TV em 2001 e posteriormente lançado em DVD. Inclui entrevistas com todos os membros do Pink Floyd que, depois, em 2021, foram disponibilizadas na íntegra pelo diretor John Edginton em seu canal no YouTube na playlist que ele chamou de “Pink Floyd Não Filtrado“.

Capa do DVD lançado em 2003

Have You Got It Yet?não é um relançamento do seu quase-xará, na verdade, parece estar em um patamar muito superior, uma busca dos detentores oficiais do legado para expandir e consolidar a importância do artista muito além das lendas. Percebe-se pelos créditos: além dos companheiros de banda, dão depoimentos a dupla de empresários que lançou o Floyd (e saiu junto com Syd) Peter Jenner e Andrew King, pelo menos quatro de suas ex-namoradas e sua irmã Rosemary Breen, além de fãs famosos como Pete Townshend (The Who), Graham Coxon (Blur) e Andrew VanWyngarden (MGMT). A produção do documentário é dos Estúdios Mercury, que pertencem à multinacional Universal Music, o que garantiu o direito de uso de mais de 50 canções do Pink Floyd e da carreira solo de Barrett, imagens e filmagens inéditas e ampla distribuição internacional.

A principal mão, entretanto, a avalizar a qualidade é do designer Storm Thorgerson, que criou icônicas capas do Pink Floyd, como “The Dark Side of the Moon” e “Wish You Were Here“, que é diretor do filme. Como ele faleceu já há 10 anos (2013), fica no ar que uma série de motivos legais e técnicos empurraram o lançamento para só agora. Quem codirigiu e finalizou tudo foi Roddy Bogawa, que já havia lançado em 2011 um documentário sobre o designer, o elogiado “Taken by Storm: The Art of Storm Thorgerson and Hipgnosis“. O título brinca com o sentido literal – (fotos) tiradas por Storm – e com o significado do nome: “levadas pela tempestade“.

“Este homem projetou metade da sua coleção de discos”

Roddy conta que desenvolveu uma amizade com Storm, que, após um café da manhã, lhe perguntou: “O que você sabe sobre Syd Barrett?

“Eu disse a ele que minha banda havia tentado, sem sucesso, aprender suas músicas por serem tão peculiares e que eu achava suas letras extremamente cruas, honestas e modernas.”

RESPOSTA DE RODDY

Então, Storm disse: “talvez seja você”.

“À medida que o câncer de Storm começou a se espalhar e sua saúde começou a piorar, o filme foi primeiro uma corrida e depois uma maratona. Após sua morte, ficou muito claro para mim que o filme era em parte uma carta de despedida de amigos para um amigo perdido há muito tempo e agora o filme também se tornaria meu adeus a Storm.”

RODDY BOGAWA
O cineasta nipo-americano Roddy Bogawa com “Atom Heart Mother”

“Alguém se importaria com a história de Syd Barrett se o Pink Floyd não tivesse se tornado uma das maiores bandas de todos os tempos? O Pink Floyd teria existido sem Syd?”

RODDY BOGAWA

As questões acima, de uma declaração do diretor, junto com o fato do próprio nome do documentário ser uma pergunta, nos dão um ótimo indicativo: que os responsáveis não estão preocupados em apresentar conclusões. Isso é o adequado porque mergulhar na mente de Syd Barrett só pode ser uma experiência caótica (se você achar alguma ordem é porque ainda está na superfície), nunca saberemos se encontraríamos um sonho ou uma piada.

Vocês não entenderam ainda?

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Após estrear no Reino Unido neste mês, “Have You Got It Yet?” segue para a América do Norte em julho e agosto. Haverá uma sessão gratuita programada para 21 de junho em São Paulo dentro do Festival In-edit, mas o documentário não deve ter exibições comerciais no Brasil, chegando, talvez, no segundo semestre em algum serviço de streaming ou através da importação da mídia física (assine, abaixo, nossas newsletters para ser avisado por e-mail ou WhatsApp assim que tivermos uma confirmação oficial).

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